I Congreso Latinoamericano http://www.congresoculturavivacomunitaria.org Cultura Viva Comunitária Mon, 30 Sep 2013 14:37:08 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=3.5.2 Interculturalidade latino-americana é tema de diálogo no Encontro Nacional http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/09/06/interculturalidade-latino-americana-e-tema-de-dialogo-no-encontro-nacional/ http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/09/06/interculturalidade-latino-americana-e-tema-de-dialogo-no-encontro-nacional/#comments Fri, 06 Sep 2013 22:13:12 +0000 maite http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/?p=1244 Integrando as atividades do Encontro Nacional Conviver em Paz nas Cidades, que vai de 19 a 21 de setembro, acontece o “Diálogo Ajayu: Cultura Viva e Interculturalidade na América Latina”, no dia 20 de setembro, às 20h, no auditório do Instituto Pólis.

O diálogo é destinado a agentes culturais, produtores, articuladores, pesquisadores, gestores, estudantes e público interessado. E não é necessário estar inscrito no Encontro Nacional para participar do Diálogo Ajayu.

“A América Latina vive um rico processo de trocas culturais entre países nos últimos dez anos, com os Pontos de Cultura, a Plataforma Puente, o Programa Cultura Viva Comunitária. A ideia é juntar saberes antigos e saberes atuais (contemporâneos), no sentido de estabelecer uma convivência que não seja uma via de mão única. Você dá voz para os saberes antigos, mas sem filtrar esses saberes por uma lógica hegemônica”, diz Valmir de Souza, organizador do evento.

Participam da conversa Hamilton Faria, poeta e coordenador da área de Cultura do Instituto Pólis, Valmir de Souza, consultor do Instituto Pólis, Antonieta Jorge Dertkigil, da Secretaria Estadual da Cultura, Pedro Vasconcellos, da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural- Minc, Eleilson Leite, da ONG Ação Educativa, Pedro Gracia, educador, Jorge Blandón, da Plataforma Puentes-Colômbia, e Dan Baron, da Idea (Associação Internacional de Drama-Educação).

Leia abaixo uma entrevista, realizada com Valmir de Souza.

- Como se dá a interculturalidade entre os países da América Latina?

Valmir de Souza – Há vários níveis de relação intercultural. Um deles, é a relação pelas vias oficiais, como o Unasul, o Mercosul, por exemplo, e mais recentemente, houve também um impulso da gestão pública no sentido de incluir a questão das culturas não consagradas, que existem na América Latina. Isso foi materializado, em partes, pelos Pontos de Cultura, que reverberaram em vários países. Junto à isso existem vários modos de se fazer cultura, que mobilizam outros saberes, que são as chamadas epistemologias do Sul, da qual fala Boaventura Souza Santos. É sobre esses modos de fazer cultura que a gente vai tratar no Diálogo Ajayu, no sentido de dar voz e visibilidade a esses saberes.

Como as pessoas se comunicam hoje?

- Já existem algumas entidades e grupos extraoficiais que trabalham com as articulações de grupos e organizações, como o Arte e Transformação, a ALACP e a Plataforma Puentes. A ideia é juntar saberes antigos e saberes atuais (contemporâneos), no sentido de estabelecer uma convivência que não seja uma via de mão única. Você dá voz para os saberes antigos, mas sem filtrar esses saberes por uma lógica hegemônica. No caso do Brasil, temos como exemplo a cultura negra e a cultura indígena, que podem estabelecer diálogos interculturais com os aimarás, os quéchuas. Que essas culturas possam interagir sem serem modificadas, no sentido de deixarem de ser elas próprias. O desafio disso tudo é conviver pacificamente, não achar que a sua cultura é mais importante do que a outra.

Diante da diversidade de culturas -a cultura da periferia, a cultura amazônica, a cultura boliviana- o que o Diálogo Ajayu procura reunir?

- Trata-se de um possível diálogo, para estabelecer uma conexão futura. É uma ação que vem também como resultado do próprio Congresso da Cultura Viva Comunitária, realizado na Bolívia, em maio deste ano. Os participantes serão de várias origens: tem pessoas responsáveis pela gestão pública, agentes de ONGs, educadores e ativistas da cultura latino-americana.
A grosso modo, é a relação entre culturas que tenham várias entradas e contribuições. É também a ideia da manutenção da autonomia cultural dos grupos e dos povos. Mais que uma integração, pode se pensar numa integração das culturas.

Diálogo Ajayu: Cultura Viva e Interculturalidade na América Latina
Com: Antonieta Dertkigil, Eleilson Leite, Jorge Blandón, Juan Brizuela, Hamilton Faria e Pedro Vasconcellos. Facilitação: Valmir de Souza
Quando: Dia 20 de setembro, às 20h
Onde: Auditório do Instituto Pólis – Rua Araújo, 124, 3º andar, República, São Paulo-SP
Grátis e aberto ao público

flyer_ajayu_encontro

fonte: http://convivenciaepaz.org.br/noticias/interculturalidade-latino-americana-e-tema-de-dialogo-no-encontro-nacional/

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7 – Filosofia para o pensamento e a ação http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/06/10/7-filosofia-para-o-pensamento-e-a-acao/ http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/06/10/7-filosofia-para-o-pensamento-e-a-acao/#comments Mon, 10 Jun 2013 15:22:19 +0000 martadero http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/?p=1131 Conclusões do Circulo de Visão 7

20 de maio de 2013

Conclusiones del circulo de visión 7

20 de junio de 2013

No círculo de visão 7 aprticiparam pessoas do Uruguai, Equador, Argentin, Peru, Bolívia, México e Brasil. O seguinte resumo apresetna os pontos de convergência das diferentes experiências.

A) Análise do contexto e estado de situação da temática

Todas as experiências surgem como uma reação contra a violencia expressa nas dinamicas sociais.  Se por um lado temos um pasado colonial, por outro o ressignificamos e temamos de diversas formas. Portanto, estamos conscientes da necessidade e urgência em transformar a realidade social apartir da arte, da educação libertadora, da revitalização de nossos conhecimentos espirituais tanto a nível individual como coletivo

Este congresso surge como parte de um contexto em que as organizações de cultura viva se reconhecem, se vinculam e se fortalecem. Se por um lado existe o uma resistência dos grupos culturais no que se refere ao apoio do Estado, por outro, é presente o risco de cooptação. Houve uma revalorização da experiência de cada uma das organizações e nos reconhecemos como madurar para tentar restabelecer uma dinâmica de complementariedade que nos permita a levar a conseguir, através da estrutura de Estado, a cultura viva a todos os setores da sociedade.

Parte do contexto em que estão imersas nossas organizações culturais, o descontentamento com a educação formal, que serviu até o momento como veículo para deformar concepções ancestrais acerca do que é a relação entre os homens com a natureza.

 

B) Estado de situação de nossas experiencias de cultura viva comunitária e principais aportes à temática.

Em todos os países que participaram nesta mesa reconhecem que as organizações, a partir da auto-gestão, conseguiram obter experiencias que desembocaram  em transformações sociais. De acordo com isso, podemos dizer que há experiencias exitosas.

Entre os principais aportes desde a experiencias, encontram-se os seguintes:

1 – Consideramos que a arte é um meio para a transformação social.

2 – É necessário revitalizar e dinfundir práticas criativas para honrar e respeitar nossos ancestrais.

3 – É necessário que, como indivíduos, nos encaminhemos à cura espiritual, como um primeiro passo para poder desmontar as lógicas arraigadas do capitalismo.

C) Principais enfoques ou sentidos.

As diferentes organizações de cultura viva comunitária deram-se conta de que, ainda que haja diferentes matizes, partem da mesma base para abordar suas ações.  Tais enfoques são:

1.- a arte e a educação como meios para a transformação dos paradigmas culturais.

2.-  Ter como elemento principal a convivencia ao interior da organização e com a sociedade em geral baseadas na reciprocidade (ayani), bem como outras práticas ancestrais comunitárias.

3.-  O uso de tecnologías de comunicação para socializar e compartilhar procesos de ressignificação de nossas indentidades.

4.- Estabelecer práticas de viver bem, dado o fato de que nos consideramos como filhos da mãe Terra.

D) Principais propostas e demandas aos Estados.

Como já mencionamos antes, consideramos que o risco de sermos cooptados pelo Estado é presente através da distribuição de recursos. No entanto, percebemos que contamos com a experiência hnecessária para poder estabelecer dinâmicas de complementariedade com órgãos estatais para levar a cabo atividades de cultura viva comunitária a todos os setores da sociedade.

Portanto, seguem as propostas:

1.-  O Estado debe ser um facilitador para as práticas de CVC.

2.- É necessária a criação de leis que protejam e garantizem o respeito dos lugares sagrados ancestrais.

3.- Políticas públicas em temas de saúde e educação desenhadas desde os conhecimetnos e saberes ancestrais.

4.- Fomento ao uso ativo de tecnologías de comunicação como um meio de fortalecimento das redes de CVC latinoamericanas.

 

E) DESAFIOS:

1.- Ativar práticas criativas de amor e cosciencia coletiva de cura e reconciliação entre nós, nossos povo, nossos ancestrais e nossa mãe terra.

2.- Construir uma filosofía de criação coletiva como ação para a libertação de nossas identidades colonizadas.

3.- Conseguir a revitalização de conheciments ancestraispara a construção de novas visões de mundo.

4.- SIstematização de nossos procesos e historias de CVC para continuar transformando nossas realidade.

5.- Conseguir sustentabilidade do Congresso através do proceso de vinculação das organizações.

7.- Aumentar la presença de grupos originarios na consolidação das redes sociais.

 

PROPOSTAS:

1.- Que se institucionalizem os congresos de cultura viva.

2.-Criação de leisn que assegurem o respeito às atividades dos grupos CVC.

3.- Criaçãod e leis que estabeleçam o libre uso de espaços públicos para as atividades de CVC.

4.- Criar um sistema de fiscalização para garantir a transparencia na assignação de orçamentos tal como em seu uso.

5.- Criação de um conselho de ética para a plataforma CVC.

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De La Paz à Sampa: diálogos com a comunidade boliviana em São Paulo http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/06/06/de-la-paz-a-sampa-dialogos-com-a-comunidade-boliviana-em-sao-paulo/ http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/06/06/de-la-paz-a-sampa-dialogos-com-a-comunidade-boliviana-em-sao-paulo/#comments Thu, 06 Jun 2013 04:30:32 +0000 maite http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/?p=975 maio_kantutacomtexto

 

Dando continuidade às atividades relacionadas ao 1º Congresso Cultura Viva Comunitária, Pontão Pólis realiza exibição de documentário sobre a cultura boliviana e Sessão de Diálogo sobre Cultura de Paz e Interculturalidades na América Latina. No domingo, a partir das 18h, na Praça da Kantuta – Feira tradicional da comunidade de imigrantes bolivianos na cidade de São Paulo.

 

TANTAWAWAS. MEMORIA DEL INDOAMERICANO (2012 | 30’)

Direção: Pablo Mardones (Alpaca Producciones) | Gênero: documentário social

O documentário conta a história de Eli, uma migrante em Buenos Aires que sofreu o assassinato do seu marido durante a repressão no Parque Indoamericano em dezembro de 2010. Um ano após as repressões, Ele se prepara para comemorar o Aya Markay Quilla (celebração do dia dos defuntos), uma prática milenar andina no Cemitério do Bairro de Flores, e leva adiante uma luta pela justiça e pela manutenção da memória do seu marido.

Informações

 

Esse texto é uma contribuição para a Comunicação Compartilhada do I Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária e foi produzido por Maitê Freitas, Pontão de Convivência e Cultura de Paz – Instituto Pólis (Brasil-SP). 

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Histórias, olhares e escutas para compreender a Cultura de Paz http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/05/30/historias-olhares-e-escutas-para-compreender-a-cultura-de-paz/ http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/05/30/historias-olhares-e-escutas-para-compreender-a-cultura-de-paz/#comments Thu, 30 May 2013 22:16:26 +0000 maite http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/?p=830 Primeiro dia do Círculo de Visão sobre Cultura de Paz, dentro da programação do 1º Congresso Latino-americano Cultura Viva Comunitária promovido pelo Pontão Polis reuniu histórias e pessoas num espaço de reflexão sobre a cultura de paz e o bem viver.Integrando a programação do 1º Congresso Latino-americano Cultura Viva Comunitária, o Pontão de Convivência e Cultura de Paz do Instituto Pólis realizou nesta segunda a primeira parte do Círculo de Visão “Cultura de Paz, Convivência e Interculturalidade”, na sede da UMSA – Universidade Mayor de Sans Andrés, em La Paz (Bolívia).

Com aproximadamente vinte participantes, representantes do Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Peru e Paraguai contaram suas histórias e impressões sobre a cultura de paz.

IMG_3475Após uma breve apresentações das ações do Pontão, que ao longo desses três anos realizou encontros em diversos pontos de cultura brasileiros levando e propondo a compreensão da Cultura de Paz, a dinâmica do círculo ganhou novos contornos.

Divido em três momentos, o círculo foi iniciado com uma dinâmica de tradição griot para apresentação dos nomes. “Vamos cantar as vogais de nossos nomes e dançar ao som delas” propunha a facilitadora, psicóloga, atriz e arte-educadora Martha Lemos (Pontão Polis). Aos poucos o grupo se familiarizava com os sotaques latinos e os tropeços linguísticos dos brasileiros que arranhavam o famoso portunhol.

No segundo momento, o grupo plantou no centro da roda tarjetas coloridas que diziam qual era o fazer cultural de cada um. Uma vela, uma ametista, uma esmeralda e um incenso dispostos ao centro do círculo traziam a sacralidade daquele encontro, nas palavras de Hamilton Faria “este encontro com a compreensão da cultura de paz só poderia ser em La Paz”.

Nas palavras do Humberto Mancilla “La Paz nos convida a olhar para o passado no entanto, estamos sendo convidados a olhar para o futuro”.

Os agentes de paz

“O que conecta o nosso fazer cultural, social e cotidiano com a construção da cultura de paz?”, a provocação feita por Faria trouxe ao círculo a dimensão simbólica para construção e entendimento da cultura de paz. Nas palavras do agrônomo brasileiro  Macel Madureira “faz parte da minha pessoa e do meu cotidiano buscar a cultura de paz no meu trabalho”. Para o boliviano Humberto Mancilla “cultura de paz é tomada de consciência, trabalho de preservação da memória.”

Entre as percepções da busca pelo resgate e consciência da ancestralidade, da felicidade e da harmonia na diversidade, Faria explicou que a cultura de paz é uma de paradigma onde se faz necessária a reconstrução da linguagem, pois é através dela que se dá composição de um panorama simbólico do corpo e da sociedade.

A busca dos agentes e multiplicadores da cultura de paz é mudança dos padrões das relações com a vida, saindo dos modelos de relacionamentos pautados na violência.

Raquel Willedira destacou que a maior complexidade se dá na radicalização da diferença e a construção do desconhecimento do outro, “como afirmar a diferença na construção dos direitos à vida?”, refletia a brasileira.

Re Takeo, partilhou a experiência do Programa VAI, da Secretaria Municipal de São Paulo, ao criar um espaço democrático e de fomento às iniciativas das juventudes da periferia paulista. “A possibilidade desses jovens produzirem e se articularem culturalmente, fez com que fossem criados espaços de produção simbólica e de cultura de paz”, afirmou a brasileira.

Dando um panorama da incorporação da cultura de paz nas políticas públicas, Faria destacou que alguns Estados já tem projetos que visam o bem viver, a preservação da memória e olhar à vida em todas as suas manifestações. “Estamos num momento de transição do antropocentrismo para o biocentrismo, o direito a vida”, afirmou Faria. Entre os exemplos, destaca-se a criação da Lei da Mãe Terra (Bolívia), Os direitos à natureza (Equador) e os projetos brasileiros Florestania e Hidrocidadania (Brasil).

Martha Lemos destacou que uma das premissas da cultura de paz não é a omissão ou alienação das diferenças e dos conflitos, faz parte dos princípios éticos da cultura de paz criar espaços onde o olhar, a escuta e a manifestação da diversidade seja respeitada e integrada. “O que se busca, como princípio ético, é a unidade na diversidade”, explicou Lemos.

Silêncio, escuta e os caminhos

Findando o primeiro dia do encontro, o grupo foi convidado a sintetizar o encontro em silêncio, dança e som. “Vamos trazer a experiência do silêncio e expressar esse primeiro encontro com os nossos corpos, nos afinando com o mote do Congresso: o de descolonizar o corpo”.

Ao som de um tambor e de cantos xamânicos de louvor a Pacha Mama (Mãe Terra), entoados pela boliviana Luz Adriana e do didgeridoo (flauta indígena australiana) tocado pela argentina Ludmila Rapuport o grupo realizou a última dinâmica do encontro.

Com os olhares e os corpos voltados para o centro da roda, o grupo partilhou as imagens e impressões suscitadas neste primeiro encontro. Entre as falas, a imagem de uma árvore ressoou em uníssono. “Isso é só o começo”, afirmou a Luz Adriana.

Dando continuidade às atividades do Círculo de Visão de Cultura de Paz, na terça-feira, às 10h, acontecerá o ultimo encontro onde serao apontados e apresentados os caminhos para o estabelecimento da cultura de paz.

Esse texto é uma contribuição para a Comunicação Compartilhada do I Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária e foi produzido por Maitê Freitas, Pontão de Convivência e Cultura de Paz – Instituto Pólis (Brasil-SP). 

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Mostra Artística do Congresso toma o Prado, rua central de La Paz http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/05/23/mostra-artistica-do-congresso-toma-o-prado-rua-central-de-la-paz/ http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/05/23/mostra-artistica-do-congresso-toma-o-prado-rua-central-de-la-paz/#comments Thu, 23 May 2013 17:06:38 +0000 Phillipe Trindade http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/?p=896 Neste domingo, dia 19, a tradicional Feira do Prado, na região central de La Paz, agregou em sua programação diversas manifestações culturais latinoamericanas dentro da Mostra Artística do I Congresso Latinoamericano Cultura Viva Comunitária. Ao longo da via, a principal da cidade, grupos de teatro, dança, música, artes plásticas, dentre outras diversas manifestações artísticas, dividiam espaço com as barraquinhas de artesanato local, oficinas de brincadeiras infantis, comidas. Os grupos se apresentavam em palcos montados em pontos distintos da via ou em cortejos populares, como o placo montado em frente à Basílica de Maria Auxiliadora, que recebeu vários grupos teatrais, como o do Coletivo Teatro-Trono, de Cochabamba – que já havia participado dos Assaltos Poéticos do dia 18 e voltaram a se apresentar com o espetáculo “Em construção” na feira dominical. O grupo arrastou o público em um cortejo que foi até a Praça Antônio José de Sucre, onde estava montado o palco-móvel da Fundação Compa, pelo qual passaram, dentre vários coletivos, o grupo percussivo argentino Bum Batuke. “É um sonho que se tornou realidade estar aqui reunido com tantos companheiros nesse evento histórico para a cultura latino-americana”, pronunciou aos presentes Pablo Alfaro, integrante do coletivo de Buenos Aires.

Próximo ao palco do Compa, os peruanos do coletivo Ramón Collar montaram seus painéis de madeira e apresentaram uma intervenção artística que envolve pintura em murais públicos. “Entendemos a pintura como poder de transformação social, através do poder das imagens”, explicou Leonel Munõz, um dos integrantes do coletivo de Lima. “Esse encontro em La Paz é importante para que os grupos culturais latino-americanos se articulem e se fortaleçam”, completou.

Os grupos brasileiros concentraram suas atividades no entorno do Hotel John Wesley, onde está hospedada boa parte da delegação. Já na calçada em frente ao hotel pode-se conferir a intervenção da Biblioteca Itinerante Barca das Letras, do Amapá, Região Norte do Brasil. Livros sobre a cultura popular brasileira e peças do artesanato amazônico foram espalhados pela calçada e ficaram disponíveis gratuitamente para quem quisesse adquirir. “Nós trabalhamos com atividades de leitura para população ribeirinha da região amazônica. Oferecemos esse trabalho voluntário para comunidades muito isoladas, nas quais raramente vai alguém oferecer alguma atividade cultural”, explica Jonas Banhos, representante do projeto. “A ideia é levar parte de acervo bibliográfico para a comunidade quilombola Mururata, que visitaremos no dia 22, dentro da programação do congresso”, completa ele.

Também foi da entrada do hotel John Wesley que saiu o cortejo afro do Ilu Oba e onde se concentrou o grupo paulista Oca Escola Cultural, que apresentou suas atividades voltadas para a cultura popular infantil através de oficinas e apresentações musicais. “O mais importante nesse encontro é a possibilidade de juntos criarmos políticas culturais que abarquem todo o continente sul-americano”, disse Vera Cristina Ataíde, coordenadora do projeto Oca. Mais adiante, na altura da entrada do Mercado Camacho, pode-se conhecer um pouco mais de projetos ligados à comunicação comunitária, como o trabalho da Rede Audiovisual de Comunicação Alternativa, que oferece oficinas ligadas à democratização da comunicação em escolas de três municípios bolivianos, La Paz, El Alto e Viacha. “Trabalhos com educação visual por que acreditamos que as crianças podem assistir criticamente a um filme, um vídeo ou uma peça publicitária, e não somente assistir indiscriminadamente a uma produção audiovisual. Acreditamos que estas crianças também são capazes de poder selecionar, com posicionamento crítico, a produção que querem assitir”, comenta Soraya Aguilar, coordenadora geral do Centro Cultural de Educação e Documentação Audiovisual.

Foi um dia de muitos encontros e intercâmbios culturais para os que passaram pelo Prado. A feira, composta por barracas de produtos da cultura popular boliviana, neste domingo ganhou um colorido multinacional. A programação artística cultural do I Congresso Latino-americano Cultura Viva Comunitária continua até a terça-feira, dia 21, em diversos pontos de La Paz e El Alto.

 

Esse texto é uma contribuição para a Comunicação Compartilhada do I Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária e foi produzido por Alexandre Silva (Ponto de Cultura Imagens do Povo, Alexandre Silva – Ponto de Cultura Imagens do Povo, Observatório de Favelas do Rio de Janeiro). A iniciativa consiste no entendimento da comunicação como ação política e não apenas como canal de circulação de informações. Trata-se de um processo de interpretação da realidade desenvolvido colaborativamente em contraposição à lógica competitiva da mídia de massas. Para saber mais, acesse: www.congresoculturavivacomunitaria.org/

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Rede de Cartografias Colaborativas cresce na América Latina http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/05/22/rede-de-cartografias-colaborativas-cresce-na-america-latina/ http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/05/22/rede-de-cartografias-colaborativas-cresce-na-america-latina/#comments Wed, 22 May 2013 23:46:52 +0000 micheletorinelli http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/?p=843 19.05.2013 – La Paz – Mercado Camacho

Veja aqui o mapa da cultura na América Latina em construção.

 

A Rede de Cartografias Colaborativas realizou uma atividade na segunda-feira (19), parte da programação do I Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária. Representantes do Brasil, Bolívia, Peru, Colômbia, México e Uruguai participaram dos debates sobre o tema e da oficina prática, que apresentou as potencialidades do mapeamento cultural colaborativo e sua dinâmica de uso.

De acordo com João Paulo Mehl, integrante do Coletivo Soylocoporti e diretor da Ethymos Soluções em Web, o objetivo da rede é oportunizar condições efetivas de transformação social a partir do olhar no território em que se vive, agregando iniciativas de maneira a engrossar a discussão da “Malha Cartográfica Livre” e de uma “Malha Pública de Dados”.

João Paulo Mehl apresentou uma proposta de mapeamento das iniciativas culturais da América Latina. Imagem: Gustavo Castro.

João Paulo Mehl apresentou uma proposta de mapeamento das iniciativas culturais da América Latina. Imagem: Gustavo Castro.

Iniciativas culturais latino-americanas no mapa

A ferramenta apresentada consiste numa tecnologia alternativa para mapeamento, que permite criarmos nossos próprios processos de georreferenciamento, e no caso da integração cultural latino-americana, saber onde estão as iniciativas que atuam com essa temática. Além de localizar os pontos, é possível incluir no mapa arquivos de vídeo, texto e foto; também é possível colocar as iniciativas no Open Street View (um programa similar ao google maps, mas de código aberto). O mais importante na hora de planejar o mapeamento é organizar e qualificar os dados por meio da definição de categorias – no caso do mapeamento cultural, dividir entre as organizações que são centro culturais, que atuam com comunicação, teatro etc.

A intenção é fazer um mapa da Cultura Viva Comunitária e o ponto de partido foi o cadastro das organizações presentes no Congresso. “Além disso, qualquer organização que quiser ter essa tecnologia, que envolve mapa, site e gerenciamento de contatos, pode entrar em contato porque será disponibilizado”, indicou Mehl.

Imagem: Gustavo Castro

Imagem: Gustavo Castro

Experiência gaúcha

Jeferson Assumção, Secretário Adjunto da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, apresentou a experiência do estado, que inclui a disponibilização do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas, o qual reúne o acervo de mais de 500 bibliotecas. A ferramenta permite que as bibliotecas se comuniquem entre si, além de possibilitar que cada uma veja o que as outras estão fazendo. A iniciativa também contempla os Pontos de Cultura do estado e o mapeamento do Sistema Estadual de Museus.

Para além do mapeamento oficial, a ferramenta também está aberta aos grupos culturais que queiram se somar, tendo como princípio o desenvolvimento de uma cultura de rede no Rio Grande do Sul. O próximo objetivo é implementar um mapa da diversidade cultural do Rio Grande do Sul – envolvendo os carnavais, cultura indígena, urbana, negra, dos pampas etc, com o intento de visibilizar a diversidade cultural do estado.

Compartilhar para mapear

Mehl defende que “temos que juntar as experiências, não precisamos usar todos as mesmas tecnologias, mas o mais importante é o intercâmbio e a organização dos dados”, sendo que a proposta é compartilhar metodologias e recursos com outras iniciativas similares. O desafio é definir um padrão para intercambiar esses dados – por isso a necessidade do diálogo e da articulação entre as organizações de cartografia colaborativa e da rede de desenvolvedores, “pra que a cultura viva comunitária seja acessível em qualquer parte do mundo. É isso que queremos construir, mas só poderemos fazer isso juntos, com a colaboração de todos”, conclamou.

Esse texto é uma contribuição para a Comunicação Compartilhada do I Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária e foi produzido por Michele Torinelli, comunicadora e integrante do Coletivo Soylocoporti. A iniciativa consiste no entendimento da comunicação como ação política e não apenas como canal de circulação de informações. Trata-se de um processo de interpretação da realidade desenvolvido colaborativamente em contraposição à lógica competitiva da mídia de massas. Para saber mais, acesse: www.congresoculturavivacomunitaria.org/

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Congresso de Cultura Viva Comunitária pauta integração do cinema latino http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/05/22/congresso-de-cultura-viva-comunitaria-pauta-integracao-do-cinema-latino/ http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/05/22/congresso-de-cultura-viva-comunitaria-pauta-integracao-do-cinema-latino/#comments Wed, 22 May 2013 17:48:08 +0000 carlasantos http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/?p=853 Da esquerda para a direita: Alexandre Santini, da Plataforma Puente (Brasil); Diego Mondaca, cineasta boliviano; Rosana Alcântara, diretora da Ancine (Brasil); Mela Márquez, diretora da Cinemateca Boliviana; Joseph Neyra Ramírez, do Grupo Chaski- Red de Microcines de Peru e Itziar Rubio, do Centro Cultural de España en Lima – Peru.

Da direita para a esquerda: Alexandre Santini, da Plataforma Puente (Brasil); Diego Mondaca, cineasta boliviano; Rosana Alcântara, diretora da Ancine (Brasil); Mela Márquez, diretora da Cinemateca Boliviana; Ivan Sanjinés, diretor do Centro de Formação e Realização Cinematográfica (Cefrec-Bolívia) e Joseph Neyra Ramírez, do Grupo Chaski- Red de Microcines de Peru.

“Não consumimos 98% do cinema que produzimos”, disse o boliviano Marcelo Cordeiro, da Red Microcines, durante o debate sobre o cinema latino-americano realizado neste domingo (19), em La Paz, Bolívia, nos marcos do 1º Congresso de Cultura Viva Comunitária. Para a brasileira Rosana Alcântara, diretora da Ancine (Agência Nacional do Cinema), o caminho para o fortalecimento do audiovisual passa por acordos de cooperação no continente e maior institucionalização de políticas para o setor em cada país.

Cineastas, produtores, artistas, empresários e gestores culturais de diversos países prestigiaram a mesa “Políticas continentais de cooperação e fomento da produção e exibição audiovisual: a formação de novos circuitos a partir das redes culturais independentes”. A busca por propostas concretas para impulsionar a produção e a circulação de obras pelo continente foi o centro das discussões.

A experiência da Ancine impressionou a diretora executiva da Cinemateca Boliviana, Mela Márquez. “Diferente do Brasil, nosso país ainda tem uma visão muito limitada sobre a indústria do audiovisual. Temos poucas leis que regulamentam e fomentam o setor e também pouco diálogo com o governo sobre propostas para a área. A presença da Ancine neste debate renova nosso fôlego e aponta novas possibilidades para superarmos estes obstáculos.”

O cineasta boliviano Diego Mondaca destacou que “fazer cinema na Bolívia é muito mais barato do que fazer cinema em outros países da América Latina”. No Estado Plurinacional presidido pelo indígena Evo Morales um real vale quase três bolivianos, a moeda local. “Além disso, nossas taxas e impostos são mais favoráveis para grandes produções do que as taxas e impostos de outros países.”

Diversos vídeos foram exibidos durantes o debate que abriu a Mostra de Cinema do 1º Congresso de Cultura Viva Comunitária. Trechos de documentários produzidos pelo Grupo Chaski foram comentados por Joseph Neyra Ramírez, membro da Red de Microcines do Peru. Ivana Bentes, diretora da Escola de Comunicação da UFRJ (Universidade Federal do rio de Janeiro), falou sobre a experiência comunitária do audiovisual e também exibiu trechos de uma série de vídeos produzidos por pontos de cultura de todo Brasil.

A programação da Mostra de Cinema contou com um panorama histórico do cinema boliviano e latino-americano, além de diversos curtas e longas metragens produzidos por redes, ações e cineastas de pontos de cultura e comunidades de diversos países.

O 1º Congresso de Cultura Viva Comunitária reuniu cerca de 1,5 mil participantes de 17 países. Inúmeros eventos culturais tomaram a cidade de La Paz ao longo do evento realizado de 17 a 22 de maio.  Além da Mostra de Cinema, foram realizados um encontro de gestores públicos e outro de universidades. Entre as ações do congresso esteve a criação de um Parlamento Latino-Americana de Cultura Viva Comunitária. A deputada federal brasileira Jandira Feghali (PCdoB/RJ) coordena o processo de articulação do parlamento.

Confira a íntegra da transmissão ao vivo aqui.

Esse texto é uma contribuição para a Comunicação Compartilhada do I Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária e foi produzido por Carla Santos. As fotos foram publicadas no Congreso Latinoamericano De Cultura Viva Comunitaria.

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Cultura, amor e política: descolonizar para democratizar http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/05/20/cultura-amor-e-politica-descolonizar-para-democratizar/ http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/05/20/cultura-amor-e-politica-descolonizar-para-democratizar/#comments Tue, 21 May 2013 02:37:22 +0000 micheletorinelli http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/?p=761 Atividade sobre cultura e democracia reuniu centenas de participantes e apontou perspectivas para a Cultura Viva Comunitária Latino-Americana

La Paz – 20 de maio de 2013

Imagem: Cultura de Red

Imagem: Cultura de Red

Quem esperava uma daquelas atividades políticas convencionais, pouco entuasiasmantes e previsíveis, surpreendeu-se essa manhã no auditório da Fundação Banco Nacional de Bolívia. Em frente a uma plateia lotada, o debate sobre Cultura Viva Comunitária e Democracia iniciou com um ritual a Pachamama e, de acordo com a tradição andina, pediu-se proteção e agradeceu-se pelo encontro de corpos e visões que constitui o I Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária. “A esse congresso viemos porque já estamos dispostos a escrever por nós mesmos a nossa própria história”, declamou o mexicano Enrique Cisneros, encerrando a poesia que dedicou ao evento.

A perspectiva de Cultura Viva Comunitária é inspirada no programa Cultura Viva – idealizado por Célio Turino – que reconheceu, potencializou e facilitou a articulação de iniciativas culturais populares no Brasil. Mas, de acordo com Turino, essa ideia não surgiu no Brasil, mas muito antes. “Estamos em uma caravana de mais de 500 anos para chegar aqui”, indicou Iván Nogales, principal organizador do Congresso. “Movimentos anarquistas, socialistas, indígenas, todas as vanguardas possíveis, inclusive os companheiros das grandes revoluções do século passado, são também antecedentes que possibilitaram que chegássemos aqui”, complementou.

A ativista cultural argentina Inés Sanguinetti, da organização Crear Vale La Pena, contou um pouco sobre a gênese descentralizada da articulação latino-americana em torno do tema. No Fórum Social Mundial de Belém, em 2009, agentes culturais de sete países do continente se encontraram e elegeram o Programa Cultura Viva como base para atuação coletiva. “Dissemos aos brasileiros: certo, vocês vão liderar, nós vamos juntos nessa proposta, mas deixem de ser um continente em si”, provocou. Esse grupo se conheceu por meio de “viagens sinérgicas”, circulando em encontros em diversos países, superando o estranhamento inicial calcado no individualismo predominante da nossa sociedade para chegar ao encontro com o outro e intercambiar visões e experiências. “Nos sentimos pela primeira vez latino-americanos”, revelou. Ela sugeriu aos dirigentes que ocupam cargos públicos presentes no evento que façam “viagens sinérgicas”, que se disponham a aprender com os outros.

Descolonizar o corpo e o continente

Em consonância com o clima irreverente predominante, Nogales puxou para o palco uma lousa branca e desenhou um triângulo, representando a estrutura hierárquica a que fomos submetidos, a dominação de uns sobre os outros instaurada pela colonização. Segundo ele, os espanhois transferiram a colônia que traziam em seus corpos, e essa colonização se infiltrou em tudo, em todas as esferas: trabalho, família, comunidade e o mais profundo, o corpo. Tudo que vem do corpo foi subestimado, deixado de lado – colonizado. Por isso a razão está acima de tudo em nosso sistema, sendo o cérebro um ditador permanente sobre o nosso corpo. Precisamos desestruturar essa forma de dominação e descolonizar nossos corpos. Assim voltaremos a viver em uma grande comunidade, construiremos uma grande democracia – primeiramente em nossos corpos. Mas isso só pode ser feito coletivamente. Daí a necessidade de articularmos diferentes esferas – individual, comunitária e institucional – para fazer uma grande revolução que descolonize nossos corpos e nossa sociedade.

Um exemplo concreto de experiência transformadora é o processo pelo qual passou Medellín. A cidade, conhecida pela extrema violência urbana na década de noventa, hoje é exemplo de como as políticas culturais podem contribuir para o desenvolvimento social, a depender do planejamento político, do diálogo com a comunidade e, evidentemente, do orçamento destinado ao setor. Jorge Melguizo, ex-Secretário de Cultura Cidadã de Medellín, compartilhou a experiência de sua cidade e apontou a necessidade de nos articularmos para difundir cada vez mais esse tipo de iniciativa. Sua explanação foi interrompida pela chegada de uma caravana argentina, a última que faltava chegar ao congresso – o ônibus ficou preso nos bloqueios que estão marcando os protestos da Central Obrera Boliviana (COB) no país. Eduardo Balán, coordenador da produtora comunitária Culebrón Timbal, foi carregado nos braços até o palco. “Não houve nenhuma dificuldade de ordem natural que não tivemos que enfrentar, sem falar das econômicas e políticas”, desabafou. A caravana levou sete dias para chegar de Buenos Aires a La Paz – fica fácil entender porque seus integrantes ocuparam o palco em êxtase, pulando e cantando.

A revolução que se faz com amor

Outras várias irreverências permearam a atividade – palhaços que interagiam com debatedores e plateia, dinâmicas lúdicas feitas com todo o público, músicas inspiradoras (como Latinoamérica, da dupla de Porto Rico Calle 13, e a música feita especialmente para o Congresso por Carlos Villegas) e muitos, muitos abraços. Essa dinâmica descontraída reflete o intuito de mesclar amor, cultura e política, pois como disse Inés Sanguiletti, “tanto no amor como na política a meta é a experimentação das diferenças”. Contudo, a ativista argentina também apontou a importância de tirar propostas concretas de cada atividade que se realize no congresso.

Os participantes puderam vislumbrar o potencial da integração cultural latino-americana. É uma questão de vontade, de querer ver o outro, de reconhecer nossas identidades e assumir nosso papel transformador no mundo. Pois como resumiu Nogales, “nós, atores políticos culturais, mostramos com nossas caravanas de alegria e de abraços, ocupando o Estado e interagindo com a comunidade, que somos nós mesmos a revolução do século XXI”.

Esse texto é uma contribuição para a Comunicação Compartilhada do I Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária e foi produzido por Michele Torinelli, comunicadora e integrante do Coletivo Soylocoporti. A iniciativa consiste no entendimento da comunicação como ação política e não apenas como canal de circulação de informações. Trata-se de um processo de interpretação da realidade desenvolvido colaborativamente em contraposição à lógica competitiva da mídia de massas. Para saber mais, acesse: www.congresoculturavivacomunitaria.org/

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Círculos de Visão contribuem com identificação de lutas http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/05/20/circulos-de-visao-contribuem-com-identificacao-de-lutas/ http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/05/20/circulos-de-visao-contribuem-com-identificacao-de-lutas/#comments Tue, 21 May 2013 02:04:10 +0000 beamoreira http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/?p=816 Hoje, 20 de maio, foram realizados os círculos de visão do I Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária. Os círculos consistem em espaços livres de diálogo, trocas de experiências e resoluções centradas em temas específicos que permeiam o tema da cultura comunitária. Entre os ciclos, houve discussões acerca da arte para transformação social, comunicação para uma democracia verdadeira, etnoculturas para respeito e convivência e memória e patrimônio para a construção do futuro dos povos, dentre outras.

Os comentário sobre os espaços têm sido positivos. As diversas pessoas estão se reconhecendo nas lutas e nos problemas e, portanto, tentando criar conceitos, redes e soluções juntos. Como consequência dessa troca, quase todos os espaços excederam o tempo limite das discussões, que seguirão amanhã de manhã – como é o caso da mesa Feminismo e Cultura Comunitária, que se reunirá amanhã as 10hrs na UMSA – Universidade Maior de San Andrés.

 

Confira a galeria de fotos aqui : https://www.facebook.com/media/set/?set=a.161940720646319.1073741844.158557134318011&type=1

 

Esse texto é uma contribuição para a Comunicação Compartilhada do I Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária e foi produzido por Beatriz Moreira do Coletivo Soylocoporti. As fotos são uma contribuição de Mídia Ninja.

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Gestores públicos e legisladores pela Cultura Viva Comunitária http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/05/20/gestores-publicos-e-legisladores-pela-cultura-viva-comunitaria/ http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/2013/05/20/gestores-publicos-e-legisladores-pela-cultura-viva-comunitaria/#comments Tue, 21 May 2013 01:13:26 +0000 luciana http://www.congresoculturavivacomunitaria.org/?p=781 Painéis de debate garantem a presença de representantes do poder público no I Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária

Após o assalto poético a La Paz e abertura oficial do encontro, a manhã de domingo foi tomada não só por novas intervenções culturais na principal avenida da cidade, como por painéis de debates com gestores públicos de cultura e legisladores de diversos países. Nesse primeiro espaço de discussão, se fez notável o apoio de diversos representantes do poder público aos Pontos de Cultura e às iniciativas de Cultura Viva Comunitária.

Partindo da temática “Políticas Culturais Locais, Nacionais e Continentais de Cultura Viva Comunitária”, o primeiro painel, que deveria contar com representantes dos Ministérios da Cultura de quatro países, acabou com uma mesa formada por dezenove gestores de cultura, de diversos lugares e instâncias governamentais. Além dos representantes dos Ministérios da Cultura do Brasil, Peru, Colômbia, Costa Rica e Bolívia, o encontro contou com a presença de sete representantes de secretarias de cultura estaduais e sete representantes de governos municipais, contemplando nove países da região (além dos já citados, estiveram presentes gestores da Argentina, Chile, Equador e Uruguai). Além do compromisso no apoio às práticas culturais comunitárias, as falas giraram em torno da necessidade de construção de indicadores que dêem visibilidade ao impacto gerado por essas iniciativas, adequando a linguagem poética das expressões culturais à linguagem burocrática do Estado.

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Parlamentares discutem projetos de lei em apoio à Cultura Viva Comunitária

No segundo painel, “Por um Parlamento latino-americano de Cultura Viva Comunitária”, representantes dos legislativos compartilharam as propostas e projetos de lei que contemplam o apoio à Cultura Viva Comunitária, a partir da provocação feita por Ivan Nogales, sobre como podemos avançar para garantia de 0,1% dos orçamentos nacionais a estas iniciativas. Com a participação de representantes de Lima e Medellín, do estado do Ceará, do congresso nacional brasileiro e do parlamento andino, as falas trataram dos projetos de lei aprovados ou em tramitação e seu processo de construção participativa, além da importância da difusão do conceito nos diversos espaços legislativos nacionais e internacionais. A grande tônica dos discursos, no entanto, foi pela necessidade de se transformarem as políticas já existentes em políticas de Estado, garantindo sua continuidade para além das mudanças na administração pública.

Em uma sala para aproximadamente 200 pessoas ocupada para além de sua capacidade, estiveram presentes algumas centenas de artistas, coletivos, mestres e militantes das práticas culturais comunitárias. Além das falas institucionais dos representantes do poder público, marcaram esses painéis as intervenções dos movimentos culturais. A ideia de que a sociedade civil está transformando o Estado se materializou assim nesta manhã, fortalecendo as esperanças por um diálogo permanente.

Movimentos culturais celebram a Cultura Comunitária e dão sentido aos espaços formais de debate

Movimentos culturais celebram a Cultura Comunitária e dão sentido aos espaços formais de debate

Este foi, no entanto, apenas o primeiro momento voltado à participação dos represent
antes do poder público no congresso, estando previstos ainda um encontro de parlamentares e funcionários no dia 20 e um encontro entre organizações culturais e o executivo no dia 21. A expectativa é de que estes novos momentos de diálogo possam promover um espaço de troca mais profundo, trazendo como resultado a proposição de estratégias e ações efetivas que possibilitem a construção de uma agenda comum pelas políticas de apoio à Cultura Viva Comunitária em todo o continente.

Esse texto é uma contribuição para a Comunicação Compartilhada do I Congresso Latino-Americano de Cultura Viva Comunitária e foi produzido por Luciana Lima, pesquisadora e militante do Programa Cultura Viva. As fotos são uma contribuição de Luciana Lima, Saullo Farias Vasconcelos e Ana Fortunato.

 

 

 

 

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